Evidência de mundo real: qual o cenário atual do uso de inibidores do SGLT2 no tratamento da insuficiência cardíaca ambulatorial?1
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O estudo RED-HEART forneceu dados de mundo real sobre a implementação de inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2) em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) no ambiente ambulatorial. De 1.923 pacientes com IC (61,2% homens), 925 pacientes (48,1%) estavam recebendo inibidores de SGLT2. Do total, 22,1% tinham IC com fração de ejeção preservada (ICFEp), 21,5% tinham IC com fração de ejeção moderadamente reduzida (ICFEmr) e 56,4% tinham IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e o uso de inibidores do SGLT2 foi de 42,0%, 47,9% e 50,6% em cada grupo, respectivamente (p=0,012). Em pacientes com IC e diabetes, o uso do inibidor do SGLT2 foi de 76,6%; em pacientes com IC e doença renal crônica (DRC) foi de 19,8%; e em pacientes sem diabetes e DRC foi de 26,8% (p<0,001). Nível de educação mais elevado (odds ratio [OR]: 1,80; intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,06–3,05; p=0,027), maior renda familiar (OR: 3,46; IC 95%: 1,27–9,42; p=0,015), classe funcional IV da New York Heart Association (OR: 2,72; IC 95%: 1,16–6,35; p=0,021), diabetes (OR: 9,42; IC 95%: 6,72–13,20; p < 0,001), uso de inibidores do receptor de angiotensina–neprilisina (OR: 4,09; IC 95%: 2,39–7,01; p < 0,001), uso de antagonistas do receptor da aldosterona (OR: 2,02; IC 95%: 1,49–2,75; p < 0,001), uso de diuréticos de alça (OR: 1,62; IC 95%: 1,18–2,22; p=0,003) e o uso de diuréticos tiazídicos (OR: 1,72; IC 95%: 1,30–2,29; p < 0,001) foram independentemente associados ao uso de inibidores de SGLT2. Por outro lado, fibrilação atrial (OR: 0,63; IC 95%: 0,45–0,88; p=0,008), DRC (OR: 0,53; IC 95%: 0,37–0,76; p=0,001), uso de bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridínicos (OR: 0,68; IC 95%: 0,48–0,98; p=0,042) e uso de estatinas (OR: 0,67; IC 95%: 0,49–0,91; p=0,010) foram independentemente associados ao não uso de inibidores de SGLT2.
Implicações clínicas em contexto
Este estudo evidenciou que aproximadamente metade da população estudada estava recebendo inibidores do SGLT2, com uma utilização significativamente maior em pacientes com ICFEr em comparação com aqueles com ICFEp ou ICFEmr. Apenas 10% dos pacientes que não estavam recebendo inibidores de SGLT2 relataram razões médicas, como contraindicações absolutas ou intolerância a medicamentos. A principal razão para a não utilização foi a inércia clínica. Apesar das evidências de proteção cardiorrenal proporcionadas pelos inibidores do SGLT2, sua utilização foi significativamente menor em pacientes com IC e DRC. Estes achados destacam a necessidade de melhorar a implementação de inibidores de SGLT2 em pacientes com IC, especialmente aqueles com ICFEp e com comorbidades como a DRC.
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Referências:
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1.
Kocabas U, Ergin I, Yavuz V, et al. Real-world data on Empagliflozin and Dapagliflozin use in patients with HEART failure: The RED-HEART study. ESC Heart Fail. 2025;12(1):434-446.
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