Inibidores de SGLT2 no Coração: Coincidência Glicêmica ou Revolução Terapêutica? 1
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O que há de novo?
Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) exercem diversos efeitos benéficos sobre as células cardíacas, atuando em múltiplos processos fisiopatológicos.1 Eles inibem a fibrose ao reduzir tanto a deposição de colágeno quanto a ativação de vias pró-fibróticas como o Fator de Crescimento Transformador Beta (TGF-β) mediada pela proteína Smad2 TGF-β/Smad.1,2 Também inibem a hipertrofia cardíaca, que, quando persistente, pode levar à disfunção cardiovascular.1-3 Além disso, os iSGLT2 inibem a apoptose (morte celular programada) e estimulam a autofagia, promovendo a renovação celular e a eliminação de componentes danificados.1,4 No contexto inflamatório, esses fármacos reduzem a expressão de citocinas pró-inflamatórias e a infiltração de macrófagos, contribuindo para um ambiente cardíaco menos lesivo.1,5 Eles também regulam a função mitocondrial, essencial para a produção de energia e controle do estresse oxidativo, e regulam o transporte de íons como sódio e cálcio, fundamentais para a contratilidade cardíaca.1,6 Por fim, os iSGLT2 inibem o estresse oxidativo ao modular enzimas antioxidantes e vias como o Fator Nuclear Eritroide 2 Relacionado ao Fator 2 e da Heme Oxigenase-1 (HO-1)NRF2/HO-1, protegendo o miocárdio contra danos oxidativos.1,7 Esses efeitos combinados podem explicar o potencial cardioprotetor desses medicamentos, mesmo em pacientes sem diabetes.1-7
Implicações clínicas em contexto
O artigo traz uma contribuição significativa ao consolidar e expandir o entendimento sobre os possíveis efeitos dos iSGLT2 nas células cardíacas, independentemente da presença de diabetes.1 Esses fármacos, originalmente desenvolvidos para o controle glicêmico, atuam em múltiplas vias celulares envolvidas na fisiopatologia cardiovascular, e seus possíveis mecanismos subjacentes incluem a inibição da fibrose, hipertrofia, apoptose, inflamação e estresse oxidativo, além da regulação da função mitocondrial e do transporte de íons e do estímulo à autofagia.1-7 Esses efeitos parecem ser mediados por mecanismos moleculares diversos.1,2-7 O artigo também destaca o potencial de reposicionamento terapêutico desses medicamentos como agentes cardioprotetores além do diabetes.1
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