A relação entre a nutrologia e o combate ao excesso de peso no tratamento de MASH e MASLD
A esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASLD) e sua forma inflamatória, a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), tornaram-se condições cada vez mais relevantes na prática clínica, impulsionadas pelo aumento global do sobrepeso e obesidade. Estudos indicam que cerca de 30% da população da América do Sul apresenta essas condições, muitas vezes sem sintomas evidentes, o que torna o rastreamento e a prevenção essenciais. Nesse contexto, a nutrologia surge como uma aliada fundamental na abordagem terapêutica dessas doenças.
A MASLD se inicia com o acúmulo excessivo de lipídeos nos hepatócitos, podendo progredir para a MASH, caracterizada por inflamação e danos celulares. Em estágios mais avançados, pode evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. O diagnóstico precoce, realizado por meio de exames, como elastografia hepática e o escore FIB-4, é crucial para prevenir complicações.
Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabete tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias e sedentarismo. Entretanto, mesmo indivíduos sem obesidade podem desenvolver a doença, devido a fatores genéticos e metabólicos.
A abordagem nutricional desempenha um papel essencial na redução da gordura hepática, controle da inflamação e reversão do dano hepático. Estratégias personalizadas baseadas na nutrologia incluem a intervenção dietética, o controle do peso corporal, a prática de atividade física, o suporte metabólico e hormonal e a abstinência alcoólica.
O monitoramento remoto utiliza dispositivos tecnológicos para coletar dados de saúde dos pacientes em tempo real ou periodicamente, permitindo que médicos acompanhem de maneira contínua o estado de saúde dos seus pacientes. Por sua vez, a telemedicina engloba uma gama de serviços médicos prestados à distância, como teleconsultas, telemonitoramento, análise remota de exames e até telecirurgia.
Essas ferramentas têm ampliado a atuação médica em áreas como:
Cardiologia: monitoramento de arritmias em tempo real, suporte no ajuste de tratamentos para insuficiência cardíaca e acompanhamento pós-cirúrgico.
Neurologia: acompanhamento remoto de pacientes com epilepsia e Parkinson, além de programas de reabilitação neurológica para pacientes pós-AVC.
Endocrinologia: sensores para controle contínuo de glicose e dispositivos que permitem o ajuste automático de insulina em diabéticos.
Pneumologia: monitoramento da função pulmonar em pacientes com asma ou DPOC, com detecção precoce de exacerbações.
Psiquiatria: sessões de terapia online e monitoramento de humor para intervenções precoces em crises de ansiedade ou depressão.
Dermatologia: diagnósticos remotos com imagens de alta resolução e acompanhamento de tratamentos para doenças crônicas de pele.
A evolução tecnológica tem introduzido uma série de dispositivos – saiba mais em nosso artigo Tecnologia Wearable: a revolução no monitoramento de saúde e cuidados médico personalizados - que otimizam o monitoramento médico, ampliando as possibilidades de cuidado à saúde. Entre eles, destacam-se os smartwatches, que monitoram frequência cardíaca, saturação de oxigênio e realizam ECGs, e os adesivos inteligentes, capazes de medir sinais vitais de forma contínua. Pílulas digitais asseguram a adesão ao tratamento por meio de rastreamento em tempo real, enquanto roupas inteligentes avaliam postura e sinais vitais. Sensores implantáveis são utilizados para monitorar parâmetros como a pressão intraocular, e dispositivos de monitoramento do sono analisam padrões respiratórios, permitindo a detecção de condições como apneia do sono.
No Brasil, a pandemia de COVID-19 impulsionou a regulamentação emergencial da telemedicina pelo CFM, o que promoveu sua aceitação e utilização em larga escala. Projetos como o Telessaúde Brasil Redes no SUS e iniciativas em hospitais de referência, como o Albert Einstein, têm demonstrado o potencial dessas tecnologias. Além disso, startups brasileiras estão inovando com soluções em saúde digital, contribuindo para o avanço do setor.
Apesar das vantagens, a implementação da telemedicina e do monitoramento remoto enfrenta desafios, como a integração de sistemas, a garantia de segurança de dados e a resistência de alguns profissionais à adoção de novas tecnologias. Contudo, essas ferramentas já provaram seu valor na prática médica e continuarão a evoluir, o que abre espaço para um cuidado mais personalizado, eficiente e acessível.
A prática médica está vivenciando uma transformação inédita, na qual tecnologia e humanização se unem para oferecer um cuidado mais preciso e centrado no paciente.
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Abaixo, listamos algumas formas de apoio aos pacientes:
Incentivar a educação nutricional: ensinar os pacientes a reconhecerem alimentos ricos em nutrientes e ensine formas simples de como prepará-los para incluí-los na dieta diária.
Oferecer receitas simples e acessíveis: oferecer ideias de pratos rápidos que incorporam superalimentos, como smoothies, saladas coloridas e sopas nutritivas.
Promover parcerias multidisciplinares: envolver nutricionistas e chefs para criar experiências educativas que unam saúde e sabor.
A alimentação saudável, integrada ao tratamento médico, é uma ferramenta poderosa no cuidado à saúde. Ao unir ciência, gastronomia e educação, conseguimos avançar na luta contra doenças crônicas e incentivar escolhas que proporcionem saúde e bem-estar duradouros.
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