Para pacientes de risco, a tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) deve ser avaliada na primeira suspeita de envolvimento por doença pulmonar intersticial (DPI). Quando apropriado, deve ser incluída na avaliação inicial em casos de doença do tecido conjuntivo (DTC) subjacente e repetida em caso de piora nos testes de função pulmonar (TFP) ou nos sintomas respiratórios.5-9
SINAIS E SINTOMAS QUE DEVEM LEVANTAR SUSPEITA DE FPI
Um paciente — geralmente com mais de 60 anos — que apresente dispneia ao esforço, tosse seca (não produtiva), baqueteamento digital ou, mais indicativamente, estertores em velcro à ausculta pulmonar, deve levantar suspeita.10-12
SINAIS E SINTOMAS DAS DPIs NÃO-FPI
APRESENTAÇÃO CLÍNICA DA PNEUMONIA INTERSTICIAL NÃO ESPECÍFICA IDIOPÁTICA (PINE)
Pacientes com PINE geralmente apresentam falta de ar (dispneia) e tosse crônica, além de estertores inspiratórios.13,14
Proporção de sintomas de comorbidades em pacientes com PINE13,14
APRESENTAÇÃO CLÍNICA DA PNEUMONITE POR HIPERSENSIBILIDADE (PH)
A pneumonite por hipersensibilidade (PH) subaguda pode se manifestar com febre, e tanto a PH subaguda quanto a PH crônica (PHc) podem apresentar dispneia ao esforço, tosse, fadiga, mal-estar, anorexia e/ou perda de peso.15
O exame físico geralmente revela taquipneia e estertores inspiratórios bibasais.15
Sibilos podem ocorrer em alguns pacientes.
APRESENTAÇÃO CLÍNICA DA DOENÇA PULMONAR INTERSTICIAL ASSOCIADA À SARCOIDOSE
A doença pulmonar intersticial associada à sarcoidose pode se manifestar com dispneia, tosse, dor torácica e estertores pulmonares. A doença pulmonar geralmente é identificada por alterações anormais em radiografias de tórax:16
- Se assintomático, é comum encontrar adenopatia mediastinal bilateral.17
- Se sintomático, são frequentemente observados dispneia, tosse, desconforto torácico inespecífico e estertores.17
- Sibilos são frequentemente um sinal de fibrose.18
RASTREIO DA DOENÇA PULMONAR INTERSTICIAL ASSOCIADA À ESCLEROSE SISTÊMICA (DPI-ES)
Recomenda-se que todos os pacientes sejam rastreados para DPI no momento do diagnóstico inicial de esclerose sistêmica.7-9
O rastreamento de DPI em pacientes com esclerose sistêmica deve incluir uma avaliação clínica completa, associada a exames de TCAR, TFPs, DLCO e ausculta pulmonar.3,8,19,20
RASTREIO DA DOENÇA PULMONAR INTERSTICIAL ASSOCIADA À ARTRITE REUMATOIDE (DPI-AR)
Recomenda-se que pacientes com fatores de risco para DPI ou sintomas respiratórios sejam avaliados por meio de TFP e TCAR no momento do diagnóstico inicial de artrite reumatoide.21-24
Notas de rodapé:
PHc: Pneumonite de hipersensibilidade crônica; DRAIS:Doenças Reumáticas Autoimunes Sistêmicas DLCO: Capacidade de difusão do pulmão para monóxido de carbono; PH: Pneumonite de hipersensibilidade; TCAR: Tomografia computadorizada de alta resolução; DPI: Doença pulmonar intersticial; PINE: Pneumonia intersticial não específica FPI: Fibrose pulmonar idiopática; TFP: Teste de função pulmonar; AR: Artrite reumatoide; DPI-AR: Doença pulmonar intersticial associada à artrite reumatoide; ES: Esclerose sistêmica; DPI-ES: Doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica.
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